As flores na minha vida

As flores na minha vida

Há quem viva entre palavras. Eu vivi.
Durante anos, o meu mundo foi feito de frases cuidadosamente construídas, de significados escondidos entre linhas, de silêncios que também precisavam de tradução.

Ser tradutora ensinou-me a escutar — não apenas o que é dito, mas o que se sente.

E talvez tenha sido precisamente isso que me trouxe até às flores.

Porque as flores são, na sua essência, uma outra forma de linguagem.
Uma linguagem sem gramática rígida, sem dicionários, mas profundamente universal. Um ramo pode dizer “amo-te”, “estou aqui”, “lembro-me de ti” ou até “adeus” — e, curiosamente, cada pessoa entende, à sua maneira, exatamente o que precisa de sentir.

Hoje, continuo a traduzir.
Mas já não traduzo apenas palavras.

Traduzo emoções em texturas, cores e formas.
Traduzo histórias em composições florais.
Traduzo momentos em algo que pode ser tocado, oferecido, vivido.

Cada arranjo que crio no Florarium nasce como um pequeno texto — invisível, mas profundamente sentido.
Tal como numa boa tradução, procuro manter a essência: aquilo que não pode ser perdido, aquilo que realmente importa.

Aprendi que há sentimentos que nenhuma língua consegue conter por completo.
E é aí que entram as flores.

Elas dizem o que as palavras não conseguem.
E, talvez por isso, encontrei nelas a continuação perfeita daquilo que sempre fui.

Uma tradutora.
Agora, de emoções.

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