Capítulo 1 — A Menina e o Jardim Secreto
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Numa pequena aldeia rodeada de campos verdes e caminhos de terra, vivia uma menina chamada Leonor.
Leonor tinha mãos pequenas, curiosas… e um coração cheio de perguntas.
Todos os dias, depois da escola, corria até ao jardim da sua avó.
Era um jardim especial — não por ser o maior ou o mais colorido, mas porque parecia vivo de uma forma diferente.
As flores ali não eram apenas flores.
— Vês esta rosa? — dizia a avó, sorrindo. — Hoje está mais feliz.
Leonor inclinava a cabeça, tentando perceber.
— Como sabes isso, avó?
A avó piscava o olho.
— Porque aprendi a escutar.
Leonor não entendia bem… mas gostava de acreditar.
Juntas, passavam horas no jardim.
Regavam as plantas, limpavam as folhas secas, falavam com as flores como se fossem velhas amigas.
— Cresce devagar, mas com força — murmurava a avó.
— Estou aqui contigo.
Leonor começou a fazer o mesmo.
No início, sentia-se um pouco estranha… mas depois tornou-se natural.
E, de alguma forma, parecia que as flores respondiam.
Talvez não com palavras… mas com cores mais vivas, com pétalas que se abriam devagar, como se estivessem a sorrir.
Um dia, o sol estava particularmente quente.
O ar cheirava a terra molhada e a flores doces.
Leonor ajudou a avó a cuidar do jardim durante toda a manhã.
Cansada, deitou-se na relva, mesmo ao lado de um canteiro de margaridas.
— Só um bocadinho… — sussurrou, fechando os olhos.
O vento soprou suavemente.
As folhas dançaram.
E o mundo ficou em silêncio.
…
Quando Leonor abriu os olhos, tudo parecia diferente.
A relva era mais alta.
As flores… gigantes.
Uma margarida inclinou-se na sua direção.
— Finalmente acordaste! — disse, com uma voz leve como o vento.
Leonor sentou-se de repente, com o coração a bater depressa.
— Tu… tu falaste?!
À sua volta, as flores começaram a mexer-se, como se despertassem.
— Claro que falamos! — respondeu uma pequena flor azul, saltitando.
— Estás no Reino das Flores!
Leonor olhou em volta, maravilhada.
As cores eram mais intensas do que qualquer coisa que já tinha visto.
As pétalas brilhavam à luz, como se guardassem pequenos segredos.
E o ar… o ar parecia cantar.
— Mas… como cheguei aqui? — perguntou, ainda sem acreditar.
A margarida sorriu.
— Só quem aprende a escutar pode encontrar este caminho.
Leonor pensou na avó.
No jardim.
Nas palavras que não entendia… até agora.
Talvez…
Talvez ela também tivesse começado a escutar.
Uma leve brisa passou, e as flores inclinaram-se, como se a convidassem.
— Vem — disseram em coro.
— Há muito para te mostrar.
Leonor levantou-se devagar.
E, sem saber exatamente porquê… sorriu.
A aventura tinha começado.