Capítulo 2 — O Primeiro Encontro no Reino
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Leonor ainda estava a tentar perceber onde estava.
As flores à sua volta mexiam-se suavemente, como se respirassem.
O ar era leve, perfumado… e tudo parecia brilhar com uma luz diferente, quase mágica.
— Anda! — chamou a pequena margarida com voz alegre. — Não tenhas medo!
Leonor levantou-se devagar, ainda a olhar para tudo com olhos muito abertos.
— Isto é mesmo… real?
— Mais do que imaginas! — respondeu a margarida, dando uma pequena volta sobre si mesma. — Eu sou a Mimi Margarida!
Leonor sorriu, um pouco mais tranquila.
— Eu sou a Leonor…
— Nós sabemos! — disse uma voz suave, vinda de trás.
Leonor virou-se.
Uma planta de pequenas flores roxas balançava calmamente ao vento.
— Eu sou a Lavínia Lavanda — disse, com uma voz tranquila, quase como um sussurro. — Estávamos à tua espera.
— À minha espera? — perguntou Leonor, surpresa.
Antes que alguém respondesse, um movimento dourado chamou a sua atenção.
Um grande girassol inclinou-se na sua direção.
— Claro! — disse com voz firme e calorosa. — Eu sou o Sol. E ninguém chega aqui por acaso.
Leonor sentiu um arrepio leve… mas não de medo.
Era como se, de alguma forma, tudo aquilo fizesse sentido.
— Mas… onde estamos exatamente?
As flores trocaram olhares — ou pelo menos, pareceu a Leonor que o fizeram.
Mimi Margarida aproximou-se um pouco mais e falou baixinho, como se estivesse a partilhar um segredo:
— Estás no Reino das Flores.
Nesse momento, uma brisa suave passou pelo campo.
As pétalas dançaram no ar… e, ao longe, algo começou a formar-se.
Um caminho.
Um caminho feito de pétalas, que brilhavam como se fossem feitas de luz.
Leonor prendeu a respiração.
— Para onde vai aquele caminho?
Lavínia respondeu com um sorriso calmo:
— Para o coração do reino.
O girassol inclinou-se ligeiramente.
— Para a Rainha.
O coração de Leonor bateu mais depressa.
— A Rainha?
Mimi saltitou de entusiasmo.
— Sim! A Rainha Rosa! Ela vai querer conhecer-te!
Leonor olhou para o caminho novamente.
Sentia um misto de curiosidade e nervosismo… mas algo dentro dela dizia-lhe para avançar.
Talvez fosse a mesma sensação que tinha quando ajudava a avó no jardim.
Aquela certeza tranquila de que estava no lugar certo.
Respirou fundo.
E deu o primeiro passo.
As pétalas iluminaram-se sob os seus pés.
E, sem saber exatamente porquê…
Leonor sorriu.