Capítulo 3 — As Vozes do Jardim

Capítulo 3 — As Vozes do Jardim

Capítulo 3 — As Vozes do Jardim

Leonor caminhava devagar pelo trilho de pétalas.

Cada passo parecia mais leve do que o anterior, como se o próprio chão a ajudasse a avançar.
À sua volta, o Reino das Flores ganhava vida de uma forma ainda mais surpreendente.

— Consegues ouvi-las? — perguntou Lavínia Lavanda, suavemente.

Leonor parou.

— Ouvir… o quê?

Mimi Margarida riu-se, girando sobre si mesma.

— As vozes!

Leonor franziu a testa.
Ficou em silêncio.

No início, não ouviu nada… apenas o vento.

Mas depois…

Algo mudou.

Um sussurro leve.
Quase imperceptível.

Como se o ar estivesse a falar.

— Eu… acho que ouvi qualquer coisa… — disse, baixinho.

Lavínia aproximou-se.

— Não é com os ouvidos — explicou. — É com o coração.

Leonor fechou os olhos.

Respirou fundo.

E então… sentiu.

Uma flor azul brilhante vibrou suavemente.

— Eu guardo sonhos — disse a voz, doce como uma canção. — Sonhos que ainda não nasceram.

Leonor abriu os olhos, maravilhada.

— Tu falaste!

— Todas falamos — respondeu Lavínia. — Mas cada uma à sua maneira.

Um grupo de pequenas flores amarelas inclinou-se ao vento.

— Nós guardamos memórias! — disseram em coro. — Lembranças felizes, risos, abraços…

O grande girassol, Sol, endireitou-se orgulhosamente.

— Eu guardo a coragem — disse. — Mesmo quando ela parece desaparecer.

Leonor olhava à sua volta, sem conseguir acreditar.

Cada flor… tinha uma voz.
Um sentimento.
Uma história.

— E tu? — perguntou Leonor, olhando para Lavínia.

A lavanda sorriu, tranquila.

— Eu guardo a paz. Aquela que ajuda os outros a encontrar o seu caminho.

Leonor levou a mão ao peito.

— E eu… o que guardo eu?

As flores ficaram em silêncio por um instante.

Depois, Mimi Margarida aproximou-se e disse com um sorriso:

— Tu… escutas.

Nesse momento, uma brisa passou novamente pelo reino.

Mas desta vez, Leonor não ouviu apenas o vento.

Ouviu tudo.

As emoções.
Os segredos.
As histórias invisíveis que viviam em cada pétala.

E, pela primeira vez, compreendeu.

A sua avó tinha razão.

As flores sempre falaram.

Ela é que só agora tinha aprendido a ouvir.

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