Capítulo 5 — A Missão de Leonor

Capítulo 5 — A Missão de Leonor

O jardim permanecia em silêncio.

Leonor ainda estava ajoelhada ao lado de Lira, com a mão pousada suavemente sobre as suas pétalas frágeis.
Algo dentro dela dizia que aquela história era maior do que parecia.

De repente… o ar mudou.

Uma brisa diferente percorreu o espaço — mais profunda, mais presente.

As flores inclinaram-se todas ao mesmo tempo.

— Ela chegou… — sussurrou Lavínia.

Leonor levantou-se devagar.

Ao fundo, entre as cores do jardim, surgiu uma luz suave.
E, com ela, uma presença que fez o coração de Leonor bater mais devagar… mas mais forte.

Era a Rainha.

A Rainha Rosa.

As suas pétalas eram de um vermelho elegante, mas não tão brilhante como deveriam ser.
Havia nelas uma leve sombra… quase imperceptível, mas real.

Ela aproximou-se com calma.

— Leonor… — disse, com uma voz doce e firme ao mesmo tempo.

Leonor engoliu em seco.

— Vossa… majestade…

A Rainha sorriu suavemente.

— Aqui, não precisamos de formalidades. Precisamos de verdade.

Leonor sentiu-se imediatamente mais tranquila.

A Rainha aproximou-se de Lira e observou-a com atenção.

— Este não é apenas o problema de uma flor — disse. — É o começo de algo maior.

Leonor franziu a testa.

— Maior?

A Rainha levantou o olhar para todo o jardim.

— As flores estão a esquecer-se de sentir.

Um silêncio pesado caiu sobre todos.

— Primeiro foi Lira… — continuou. — Mas, aos poucos, outras vão perder a cor, a voz… a essência.

Leonor levou a mão ao peito.

— Mas… porquê?

A Rainha olhou para ela com suavidade.

— Porque deixaram de se escutar.

As palavras ficaram suspensas no ar.

Leonor pensou na sua avó.
Nas tardes no jardim.
Nas palavras que antes não compreendia…

E agora faziam todo o sentido.

— E eu? — perguntou, com cuidado. — O que posso fazer?

A Rainha Rosa aproximou-se mais um passo.

— Tu consegues ouvir o que outras já não conseguem.
Consegues sentir o que está escondido.

Fez uma pequena pausa.

— E por isso… precisamos de ti.

O coração de Leonor acelerou.

— Eu?

Mimi Margarida sorriu, orgulhosa.

Sol endireitou-se, confiante.

Lavínia assentiu, em silêncio.

A Rainha continuou:

— Há algo que mantém este reino vivo. Algo invisível… mas essencial.

Leonor prendeu a respiração.

— O quê?

A Rainha respondeu, com um brilho suave no olhar:

— A luz interior de cada flor.

Leonor ficou em silêncio.

— Essa luz está a desaparecer — disse a Rainha. — E precisamos de a reencontrar… antes que seja tarde demais.

Leonor olhou para Lira.

Depois, para todo o reino.

Sentiu medo… mas também algo mais.

Coragem.

— O que tenho de fazer?

A Rainha Rosa sorriu.

— Começar.

Uma brisa passou, e ao longe… um novo caminho começou a formar-se.

Diferente do primeiro.
Mais estreito.
Mais misterioso.

— A tua missão começa agora, Leonor.

Leonor respirou fundo.

E deu um passo em frente.

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